“Porque eu estou no topo do mundo, hey / Eu estou no topo do mundo, hey / Esperando por isso há um tempo, agora / Pagando minhas dívidas para a terra.”
On Top Of The World – Imagine Dragons – Tradução
Se, lá em 1969, o mundo parou diante das imagens históricas da missão Apollo 11, agora, décadas depois, assistimos, novamente, à humanidade contornar a Lua e regressar em segurança com a missão Artemis II.
E desta vez… não foi promessa. Foi feito!
Os astronautas foram, circundaram nosso satélite natural e retornaram. Simples assim? Claro que não!
Em um mundo que já viu de tudo, ou acredita ter visto, o feito, ainda que extraordinário, parece disputar espaço com algo igualmente poderoso: a dúvida. Se antes questionavam o passado, agora reinterpretam o presente. As antigas perguntas ressurgem, quase como um eco persistente: “O que, de fato, vimos?”, “Até que ponto podemos confiar?”, “Será que aprendemos algo com os últimos cinquenta anos?”
Curioso, não?
A tecnologia avançou, as transmissões foram mais nítidas, os dados mais precisos, os registros mais abundantes. A NASA mostrou cada etapa, cada teste, cada manobra. Ainda assim, para alguns, nunca é suficiente.
Talvez porque o problema nunca tenha sido técnico.
Entre órbitas calculadas e cápsulas em reentrada, existe algo menos mensurável: a confiança. A mesma humanidade que desenvolve foguetes capazes de atravessar o espaço profundo ainda tropeça em suas próprias narrativas. Se no passado até nomes como Stanley Kubrick foram arrastados para teorias improváveis, hoje o palco é outro, mais amplo, mais rápido e muito mais barulhento.
E, no entanto, a ciência segue.
A missão Artemis II não foi apenas um voo ao redor da Lua. Foi um marco simbólico: o retorno humano ao entorno lunar, o ensaio concreto para novos pousos, a reafirmação de que, apesar de todas as dúvidas, continuamos avançando.
Mas, no fim das contas…
O que muda?
Para muitos, talvez nada. O café continua quente pela manhã, o trânsito continua caótico, os boletos continuam chegando. A Lua, lá em cima, segue a mesma, silenciosa, distante, indiferente às nossas certezas e incertezas.
Mas, ainda assim, há algo que permanece.
A capacidade humana de ir, voltar… e continuar sendo questionada.
Porque, no fundo, a questão nunca foi apenas “chegar ou não chegar”.
Talvez a verdadeira questão seja outra: mesmo quando chegamos, e voltamos, estamos prontos para acreditar nisso?
Tiago Rafael dos Santos Alves
Mestre em Ciências – PPGG-MP – FCT/UNESP
Doutorando pelo PGAD – FCE/UNESP

