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ARTIGO: Viagem de moto no feriado prolongado

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Sempre que tenho alguma folga, costumo ir em busca de novos horizontes. Para não fugir à regra, na madrugada de 7 de setembro mais uma vez peguei a estrada. A intenção era dormir em Ouro Preto, MG, na manhã seguinte chegar a Itaperuna, RJ, e depois seguir para Bom Jesus do Norte, ES. Como de Adamantina até a importante cidade mineira são apenas uns 1000 kms, pensei em percorrer essa distância com a Gertrudes (nome da moto) em menos de doze horas.

No entanto, ao chegar no lago de Furnas (Mar de Minas), tive que mudar os planos para o primeiro dia de viagem. Com a Gertrudes equipada com os baús laterais (o que torna muito perigoso fazer ultrapassagens numa rodovia de pista simples congestionada) não daria para atingir o objetivo traçado. Por conta disso, depois de percorrer aproximadamente 800 kms, decidi pernoitar em Campo Belo, MG, onde tive o prazer de conhecer Mateus, uma pessoa com grande percepção de mundo.

Conversando com o novo amigo, fiquei sabendo que naquela região existiu o quilombo do Rei Ambrósio, que no seu auge chegou a ter uma população de mais de 15.000 habitantes, sendo a maior comunidade de escravizados fugitivos em terras mineiras de todos os tempos. Localizado entre Campo Belo e Cristais, o quilombo durou de 1726 a 1746, quando foi destruído a mando da Coroa Portuguesa (vale a pena dar uma pesquisada sobre essa rica e desconhecida história).

No dia 8 de setembro, antes das 6h eu já estava na estrada. Faltando menos de 100 kms para Itaperuna, surgiu o primeiro contratempo da viagem. Fui parado numa blitz da policia rodoviária. Por azar, no dia anterior os meus óculos haviam quebrado e, claro, eu estava pilotando sem esse equipamento que consta como item obrigatório na minha carteira de habilitação. Expliquei a situação para o policial, ele não me multou, mas pediu que voltasse até Muriaé para providenciar o concerto dos óculos.

Fiz o retorno, e entrei na cidade. Logo encontrei uma ótica, e novo contratempo. Os óculos não tinham conserto, e um novo só ficaria pronto no dia seguinte. Pensei um pouco, e resolvi deixar os óculos de lado e aproveitar a viagem em Minas Gerais mesmo. De Muriaé a Ouro Preto são 210 kms, e como gosto muito dessa cidade, não pensei duas vezes e segui em frente.

Pouco depois do meio dia, estava passando o segundo pior perrengue da minha vida de motociclista (o primeiro foi numa trilha de areião na Chapada dos Guimarães, MT, em 2021). Errei o caminho para a Praça Tiradentes, e acabei descendo uma grande ladeira com pedras soltas. Por sorte, a Gertrudes não me deixou na mão e chegamos inteiros ao final da escorregadia rua, que mais parecia um despenhadeiro ensaboado. Rodei mais alguns minutos, e logo estava no centro da cidade.

Para minha surpresa, além do costumeiro engarrafamento de veículos, a frente do Museu da Inconfidência estava tomada por caixas de som e pela montagem de um mega palanque, onde seria gravado um show do cantor Dilsinho, em flagrante desrespeito a memória dos inconfidentes. O nefasto evento, liberado pela prefeitura, também, poderia abalar as estruturas de alguns dos prédios históricos que levaram a cidade a ser reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Bastante chateado com a situação, peguei a bela Estrada Real rumo a São João del Rei. Parei em Ouro Branco para tomar um café, e repeti a dose na encantadora Lagoa Dourada. O tempo passou rápido e quando olhei no relógio da moto (sim, a Gertrudes tem computador de bordo) era quase seis da tarde. Segui em frente e ao passar no trevo de Prados, me lembrei do distrito de Bichinho. Fiz o retorno e entrei em Prados. Depois de breve procura, encontrei a Pousada Vista Pra Serra e me instalei nela. Como estava fazendo um friozinho agradável, à noite tomei algumas cervejas.

No sábado, segui para Bichinho. Chegando lá, fui direto para a interessante Casa Torta, uma das principais atrações do local. Tirei algumas fotos, atravessei a rua e entrei na cachaçaria Tabaroa, um verdadeiro paraíso para os amantes de um bom destilado. Pensei em degustar alguns tipos do precioso liquido, mas lembrei que na pousada haviam dito que tempos atrás um irmão estradeiro caiu na besteira de fazer isso, e a brincadeira tinha custado muito caro para a sua motocicleta. Diante disso, mesmo com água na boca, tive que me contentar em comprar uma garrafa da famosa cachaça e guardá-la no baú da Gertrudes.

Em seguida, fui até um barzinho, tomei café com pães de queijo deliciosos e como já era quase 10h30, segui para São João del Rei. Lá, abasteci a Gertrudes e começamos a nossa viagem de volta. Como previa, encontrei novo congestionamento na região do lago de Furnas. Por conta disso, pernoitei em Itaú de Minas. No domingo, acordei bem cedinho e às sete da manhã já estava na estrada.

Em Franca, SP, abasteci a valente Gertrudes com combustível suficiente para chegar em casa (cabem 24 litros de gasolina no tanque dela). Às 13h, estacionei em frente ao Mercadinho Dia-A-Dia, em Adamantina. Djalma estava entrando em sua casa e Toninho Guaracho e Mário Japonês, como sempre, tomando suas cervejinhas. Como os baús laterais atrapalham na hora de descer da moto, o amigo Gerson Fabris disse alguma coisa e mandei ele procurar o caminhão que caiu.

Em casa fiz um balanço, e vi que rodei quase 2.500 kms nessa viagem. Também cheguei à conclusão que a política do pão e circo virou mesmo moda em todo o Brasil. Além do show do cantor Dilsinho, em Ouro Preto (que, felizmente, acabou suspenso por decisão da Justiça Federal), havia festas com os portões abertos em Prados e Itaú de Minas. Enquanto isso, setores importantes como saúde e educação continuam de fora das prioridades da maioria dos governantes municipais. Aqui e acolá…                

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ARTIGO: O tempo é o senhor da razão

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ARTIGO: O tempo é o senhor da razão

Por: Nivaldo Londrina Martins do Nascimento (Mtb 35.079/SP.)

Por conta do meu último artigo, uma alma penada disse que sou um vidente intelectual. Como na “brincadeira” percebi um tom pejorativo e certo preconceito, quero deixar claro ao nobre cidadão que respeito as ciências ocultas, porém não tenho nenhum poder extrassensorial. Quanto a ser chamado de intelectual, nunca fiz nada que justificasse tão importante tratamento. Apesar de ter publicado alguns livros, sou apenas um pobre articulista que costuma abordar com mais profundidade os assuntos de interesse coletivo. Em Adamantina, não é preciso ser vidente ou intelectual para saber que as patacoadas recorrentes em alguns setores da cidade sempre acabam dando errado.

Em 2003, por exemplo, ao escrever sobre a situação em que se encontrava a Santa Casa de Adamantina, encerrei o texto com a seguinte frase/previsão: “Agora só resta à população se unir para reconstruir e, por que não dizer, devolver aos adamantinenses um pouco da dignidade tirada no decorrer dos últimos anos, mesmo que para isso seja necessário buscar médicos até em Cuba”. Por ter falado em médicos cubanos, quase fui linchado pelos integrantes de elitizada categoria profissional. Entretanto, em 2013, foi criado o Programa Mais Médicos no Brasil, e logo chegaram vários médicos cubanos para fazer a diferença no atendimento das pessoas mais humildes na Cidade Joia.

Com a ascensão do obscurantismo na política, o Programa Mais Médicos foi encerrado em 2019 e a qualidade da saúde pública despencou no país. Aqui faço um adendo. Graças ao trabalho que membros do Poder Judiciário vinham fazendo junto à Santa Casa, diferente do que ocorreu em municípios vizinhos, a saúde não virou um caos em Adamantina. Oportuno lembrar ainda da atuação dos promotores e dos juízes da cidade em favor da antiga Clínica de Repouso Nosso Lar, hoje Clínica PAI Nosso Lar. Foram eles que conseguiram a extinção de uma dívida com a União, que corrigida, chegava à R$39 milhões, e assim garantiram o emprego de 104 trabalhadores e o atendimento à 144 pacientes na casa de saúde. Poucos fizeram tanto pela saúde na Cidade Joia.

Relatados esses fatos que não podem ser esquecidos pela população, recordemos outra “previsão” deste humilde cronista que muitos duvidaram que fosse se concretizar. No final de 2022, lancei o livro Meu legado de lutas socioambientais. Na obra, que acabou me rendendo o honroso título de Cidadão Adamantinense, eu falo um pouco da minha trajetória em favor das causas coletivas. Inclusive, está registrado nela, o passo a passo do trabalho que fizemos na discussão das alterações da Lei Complementar nº 94/2007 (Plano de Carreira do Magistério Público Municipal de Adamantina), enviadas, em dezembro de 2021, pelo chefe do Executivo à Câmara dos Vereadores.

No início do registro, faço uma pequena homenagem aos professores que lutaram pela manutenção dos seus direitos, dedicando aos valorosos profissionais o Poeminha do contro, de Mário Quintana, que não por acaso, diz: Todos esses que ai estão/ Atravancando o meu caminho/ Eles passarão…/ Eu passarinho/ No final do texto, três frases exprimem o meu sentimento em relação ao resultado da votação dos vereadores: “Não vou dizer que este ou aquele parlamentar se equivocou na hora de votar. A história vai mostrar quem tinha razão e vai cobrar de quem errou. Vida que segue”.

A vida seguiu o seu rumo e o desfecho do caso não foi dos melhores para algumas autoridades políticas. O Egrégio Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em decisão de segunda instância, julgou procedente Reclamação Trabalhista, com pedido de pagamento em pecúnia de 1/3 sobre os 15 dias de recesso escolar, conforme era previsto em dispositivo revogado na Lei Complementar nº 94/2007. Na ocasião, alertamos sobre o disposto no artigo 468 da CLT. Todavia, o referido dispositivo legal foi desprezado. Como previsto, esse direito deve ser mantido aos professores que trabalhavam na rede municipal de ensino na data da promulgação das mudanças aprovadas na Câmara Municipal de Adamantina. O tempo é o senhor da razão.

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ARTIGO: Eleições, pré-candidatos/as e Jardim Zoológico Provinciano…

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“O receio de uma desgraça incerta faz muitas vezes mais funesta impressão, do que a certeza de uma desgraça sucedida.” (Shakespeare)

By seb@r.

Nesta semana, resolvi dar umas voltas pelo centro provinciano para alguns desencontros aqui e ali, ainda, sem mais e sem menos, porém, não se pode escolher quem você encontra deste ou do outro lado de uma rua, avenida, esquina, padaria, pastelaria e outros…

Portanto, a coisa ta pegando agora para os lados dos nomes indicados pelos partidos e suas respectivas coligações para concorrerem ao executivo e legislativo, porém, mesmo sendo um período “pré-eleitoral”, essa turma está com a carga toda em todos os cantos provincianos…

Alguns, estão com aquele fome de “caça aos eleitores/as” como se fossem “velhos companheiros”, tal um filme que tem este título, assim, pode-se afirmar que para ambos os lados deste mesmo lado, ou seja, interessados em ocupar o “trono” do executor, bem como, alguma vaga como legislador (sic), não se pode esquecer que o “holerite” ou “salário” está contando e muito neste ou naquele bolso, bolsa, carteira etc…

Neste cenário pitoresco com ares provincianos, tudo pode ocorrer para ambos os lados dos dois candidatos ao executivo, também, quantos “nove escolhidos/as” para compor o Legislativo da Província em tempo de pós-globalização organizacional…

No denominado “Marketing Político”, este período que antecede as eleições, isso é, pra quem pretende seguir a “cartilha técnica mercadológica”, denomina-se “Marketing Eleitoral” e depois de eleitos/as, deve-se fazer a opção integral pelo “Marketing Político”, tendo em vista a consolidação do projeto apresentado na Campanha Eleitoral…

Mesmo assim, na maioria das vezes, o projeto eleitoral que se colocou em votação e saiu vencedor nas urnas, acaba sendo esquecido em alguma gaveta e ponto quase final para o/a eleitor/a que creditou o seu voto no candidato que se tornou “Gestor Municipal”, considerando neste contexto, os/as legisladores/as escolhidos/as para a composição da “Câmara dos Vereadores”…

Outra questão que desperta mais curiosidade do que qualquer coisa desta mesma coisa, são as tais coligações dos partidos, haja vista que tal união partidária que quase nunca é em nome dos interesses da comunidade, estão próximas de uma verdadeiro “Jardim Zoológico Provinciano”, isso com todos respeito aos animais e aves “presos” sem mais e sem menos neste local de repressão e opressão incondicional…

Neste contexto plural para o sistema democrático tupiniquim, “tudo pode ocorrer” até o “dia do abate” que vai determinar quem vai ocupar o “trono do quinto andar” e as nove cadeiras dos escolhidos pela comunidade como legisladores do povo, para o povo e pelo povo…

QUEM SOBREVIVER VAI SABER…

 

e-mail: [email protected]

 

 

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ARTIGO: Discursos contraditórios e hipócritas

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Por: Nivaldo Londrina Martins do Nascimento (Mtb 35.079/SP.)

Na política, contradição e hipocrisia costumam andar de mãos dadas e nos períodos pré-eleitorais essa nefasta parceria ocorre com mais frequência e intensidade. Nos meses que antecedem as eleições, não raro, encontramos pessoas que nunca moveram uma palha em favor da coletividade, prometendo resolver os problemas que afligem a população. Como os pacotes de “soluções desses salvadores da pátria são escritas de acordo com a toada do momento, é nessa época que surgem propostas surreais e que nunca poderão ser colocadas em prática pelos seus “competentes” idealizadores.

Dentro deste contexto, é comum encontrarmos pré-candidatos que não sabem a diferença entre uma enxada e um rastelo, falando em apoiar o agronegócio e os pequenos agricultores. A mesma coisa acontece no discurso dos negacionistas que são contrários à imunização das pessoas por meio das vacinas, mas que dizem que vão melhorar a saúde pública. No mesmo caminho estão os apoiadores das pautas “cristãs” que festejaram a liberação das fake news nas redes sociais, numa clara demonstração do falso moralismo religioso. Será que o Deus deles é a favor da mentira?

Na educação e na geração de emprego e renda, a história se repete. Existem políticos que falam em valorizar professores, mas que apoiam a privatização do ensino público proposta pelos seus líderes de extrema direita. Outros dizem que vão criar emprego e gerar renda, mas são favoráveis a entrega dos serviços públicos à iniciativa privada. Para esse tipo de político não importa se a qualidade dos serviços irá piorar, se trabalhadores serão demitidos ou se as tarifas cobradas dos consumidores poderão aumentar. Para eles, o que importa mesmo é agradar os caciques das suas siglas partidárias.

Enquanto a contradição e a hipocrisia reinarem absolutas em algumas cidades, questões importantes para a sociedade ficarão cada vez mais “esquecidas” nas campanhas políticas. Aliás, uma das questões mais afetadas pela “amnésia” dessa gente é a questão ambiental. Seja no Rio Grande do Sul ou em Adamantina. Não é nenhum exagero dizer que tanto as enchentes que causaram a tragédia no estado gaúcho, quanto as enchentes que alagaram casas e comércios na Cidade Joia, poderão se repetir no final de 2024. Isso se nada for feito para corrigir problemas pontuais em ambos os casos. Todo mundo sabe que os caminhos das águas devem ser livres, e quando canalizados não podem ser subdimensionados em nenhuma hipótese. Detalhe. Como esse assunto é muito sério, ele deverá ser tratado com o devido cuidado num próximo texto.

A propósito, há mais de duas décadas que escrevo artigos em colunas de jornais da cidade e região, sempre cobrando das autoridades políticas adamantinenses ações concretas para resolver questões de interesse da coletividade. Recordemos algumas dessas cobranças. Em 2003, escrevi sobre a questão da água no município. Em 2009, expliquei que o cemitério estava com a sua capacidade quase esgotada e que era necessário a prefeitura adquirir um terreno para a implantação de um novo campo-santo. Em 2015, falei da precariedade do extinto aterro sanitário de Adamantina e que era preciso a prefeitura adquirir uma área para a instalação de outro aterro sanitário, caso contrário isso iria custar caro para o município.

Passados 20 anos da publicação do artigo sobre a água, alguns bairros da cidade começaram a sofrer com a falta do precioso líquido. Em relação ao cemitério, só agora, depois de 15 anos, estão sendo tomadas providências para a sua ampliação. Quanto ao aterro sanitário, este foi interditado pelos órgãos estatais de defesa do melo ambiente em 2019, e atualmente a prefeitura gasta mais de R$100 mil ao mês para depositar o lixo da cidade num aterro da iniciativa privada localizado no Bairro Adelândia. Os artigos citados podem ser vistos nos livros Ninguém consegue deter a primavera e Ensaios sobre a política adamantinense e outros escritos, de minha autoria, e no livro AQUATRO, que escrevi em parceria com outras três pessoas.

Como sei que pré-candidatos que não me conhecem (têm muitos) podem questionar se já fiz alguma coisa em defesa daquilo que escrevo em meus artigos, a eles recomendo a leitura do livro Meu legado de lutas socioambientais, também de minha autoria, pois nessa obra está registrado uma parte da minha luta pelas causas coletivas. Dica literária. Os livros mencionados neste texto podem ser encontrados no acervo da Biblioteca Municipal de Adamantina. Quero dedicar ainda aos políticos que costumam fazer discursos contraditórios e hipócritas, uma pequena frase do livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que diz: “Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes”.

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