“Por mais que haja investimentos nas apostas digitais, é fundamental chegar diretamente no apostador com pontos físicos. A loteria mais popular no Brasil ainda é a que está ao largo da lei, sem arrecadar tributos, financiando outras práticas também ilegais”, diz. “Ainda assim, também queremos de 2% a 2,5% da população de São Paulo cadastrada, apostando online na loteria estadual, ante 0,01% da população nacional que hoje aposta no site da Caixa”, projeta.
Propostas
Onze grupos apresentaram propostas de modelagem ao governo paulista, que escolheu seguir pelo caminho de contratar apenas uma empresa para tocar toda a operação estadual de loterias. Apesar de alguns interessados discordarem do modelo de exclusividade, Viscardi acredita em uma competição significativa no leilão previsto para o fim de março. Ele relata, porém, preocupações dos investidores com a possível entrada de grandes municípios paulistas nesse mercado, com o lançamento de suas próprias loterias nos próximos anos.
“Há bastante espaço para aumentar a cultura do brasileiro em apostar e usar mais as loterias. Quando houver esse movimento com várias novas empresas, é como jogar um fermento para o bolo crescer como um todo. Cada fatia será maior que o bolo original, mas esse fermento também tem um limite”, considera o economista.
Para ele, o leilão não deverá ser afetado pela disputa eleitoral ou por questionamentos jurídicos, dada a quantidade de argumentos favoráveis à concessão. “As pessoas de todas as vertentes vão entender o potencial de geração de empregos e arrecadação de tributos que serão destinados integralmente para políticas sociais. O cenário político sempre pode tentar intervir, mas nesse caso é muito difícil, porque não há argumento contrário que pare de pé”, conclui.