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Memórias de outrora: O último recreio

AdamantinaNETPor AdamantinaNET12 de dezembro de 20250
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***

“Crescer é aceitar que alguns dias acabam para que outros possam começar.”

***

Aos meus alunos e ex-alunos, dedico!

***

No último recreio do ano, há sempre um silêncio que ninguém comenta. Não é falta de barulho, porque a bagunça continua a mesma, as risadas ocupam o pátio inteiro e a bola insiste em rolar na quadra com um chute aqui e outro acolá. Mas existe um silêncio ali, por baixo de tudo, feito de despedidas que ninguém sabe muito bem como viver!

Para a turma do terceiro ano, aquele intervalo tem gosto de última vez. O último doce da cantina, a última água no bebedouro, o último empurra-empurra na fila da merenda, ou até mesmo a última discussão com os colegas sobre quem vai primeiro ao banheiro. Eles fingem que nada está acabando. Falam alto demais, riem mais do que o normal, exageram um pouco no carinho e muito nas provocações. É o jeito deles de segurar o tempo pelas pontas, como quem tenta impedir que ele escorra pelos dedos.

Os professores, de longe, observam esse ritual com uma mistura de orgulho e melancolia. Sabem que, daqui a uns dias, aquele pátio não será mais deles. Que aquele recreio, que tantas vezes reclamaram por ser barulhento demais, vai fazer falta. A escola é assim mesmo! Só se percebe o valor de certos ruídos quando eles silenciam.

E enquanto os alunos se despedem do intervalo, a cidade parece seguir seu ritmo, como se nada estivesse acontecendo. Mas ali, naquele pátio simples, num canto da cidade, há um mundo inteiro sendo desmontado. Uns já têm destino certo, outros ainda não. E carregam essa incerteza no olhar. Há aqueles que sonham em ficar por aqui, perto da família, do trabalho, da vida possível. Há, também, os que gostariam de ir embora, mas sabem que o sonho é maior do que o bolso.

O último recreio revela isso tudo, sem que ninguém diga uma palavra. É como se o pátio testemunhasse, de uma vez só, todos os futuros possíveis e impossíveis de cada jovem que passa correndo com um sorriso que tenta esconder o medo. A escola sabe. Ela sempre sabe!

Quando o sinal toca, alguns demoram para voltar para a sala. Olham para os cantos, para as mesas, para os colegas. Guardam o cenário na memória, mesmo sem admitir. Porque, no fundo, sabem que, da próxima vez que entrarem ali, já terão atravessado uma porta invisível que separa o que foram do que ainda não sabem ser.

E o recreio termina assim, como terminam muitas coisas importantes. Sem aviso formal, sem discurso, sem celebração. Apenas termina. Mas fica guardado. Fica preso em algum lugar entre a infância que ainda resiste e a vida adulta que espera do lado de fora do portão.

O último recreio não é apenas um intervalo. É um ensaio de despedida, um anúncio do que está mudando, um lembrete silencioso de que crescer dói, mas também empurra a gente para frente.

E quando o portão finalmente se fecha no fim daquele último dia, o pátio fica quieto, mas não vazio. As lembranças continuam ali, espalhadas entre a quadra, a cantina, as salas e as sombras das árvores. A escola, paciente como sempre, sabe que os caminhos se abrem para todos, ainda que nem sempre na mesma direção.

E nós, que ficamos, seguimos recolhendo esses pedaços de despedida, certos de que cada turma leva um pouco da escola consigo, mas também deixa algo para trás. No fundo, o último recreio ensina o que nenhum livro dá conta de dizer: crescer é partir, mas também é permanecer. Porque alguns passos seguem adiante, outros ficam guardados no chão da escola, lembrando-nos de que toda despedida, por mais silenciosa, é sempre o começo de alguma coisa.

 

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor da Rede Estadual de SP / FADAP/FAP – Tupã

Historiador – nº 0000486/SP

Gestor Ambiental: CREA-SP nº 5071624912

Mestre pelo PPGG-MP – FCT/UNESP

Doutorando pelo PGAD – FCE/UNESP

E-mail: [email protected]

 

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