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Home»Geral»ARTIGO – Memórias de outrora: O pasto virou bairro
Geral

ARTIGO – Memórias de outrora: O pasto virou bairro

AdamantinaNETPor AdamantinaNET30 de junho de 20250
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Uma breve reflexão sobre a memória afetiva e o surgimento de novas áreas urbanas nas cidades

 

“Tudo que acontece na vida da gente vira história um dia.”

Patativa do Assaré

 

“Onde hoje passa carro, já passou boi e menino descalço.”

Sabino do Brejo

 

Em uma de minhas andanças rotineiras, uma paisagem me trouxe algumas reflexões. Ali, a alguns anos, só havia um pasto, alguns animais e um céu de um azul interminável – talvez com uma ou outra árvore e um brejo na parte mais baixa e uma cerquinha tão velha que mal se sustentava.

            Hoje, “ali” é bairro! Um bairro de ruas asfaltadas, casas de diferentes cores, postes de concreto, fios e mais fios, calçadas e lixeiras organizadas. Tem até uma pracinha com brinquedos coloridos e um mercadinho. Parece pouco, mas é tudo para quem chegou ali com uma mudança no caminhão e um recomeço no peito. E assim, novas histórias passam a se construir e reconstruir.

            O pasto virou calçada. O cheiro da terra virou poeira das obras. O canto dos grilos e sapos cedeu lugar ao barulho dos carros e portões eletrônicos, das crianças correndo e do barulho do liquidificador da casa número 34. Ah… E das betoneiras, é claro! E, apesar de tudo, há beleza nisso.

            Mas, ainda assim me lembro que “ali”, já foi espaço de pipa, de bola, de arranhão no arame farpado (ou nos espinhos do juá) e até de fuga da vaca brava. Ah… E quando alguém perguntava onde “ali” ficava, a nossa referência geográfica era a mais precisa possível: dizíamos que era “no fim do mundo”, “no meio do nada” ou até mesmo “onde Judas perdeu as botas”.

            Agora isso tudo virou bairro! Com gente nova e velhas histórias soterradas sob cimento e tijolos. Mas, a memória é coisinha danada – às vezes teima em ficar de pé. E às vezes, quando o sol se põe, com aquele alaranjado em tons indecifráveis, dá pra jurar que ainda escuto o barulho dos grilos, dos sapos… e talvez daquela vaca mugindo embaixo de um pé de manga, quando “ali” ainda era só pasto!

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor / Historiador / Gestor Ambiental

Mestre em Ciências – PPGG-MP – FCT/UNESP

Doutorando pelo PGAD – FCE/UNESP

 

 

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