A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), aplicada em 2025, acendeu um sinal de alerta para o ensino médico no Brasil. Dos 351 cursos de Medicina avaliados em todo o país, 99 apresentaram desempenho considerado insatisfatório, o equivalente a cerca de 30% do total, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC). Esses cursos pertencem a 93 instituições de educação superior.
Entre os cursos com resultado abaixo do esperado estão duas instituições da região: o Centro Universitário de Adamantina (FAI), as Faculdades de Dracena (Unifadra), mantidas pela Fundação Dracenense de Educação e Cultura (Fundec) e supervisionadas pelo MEC, e, autarquia municipal de ensino superior, supervisionada pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE-SP). Ambas obtiveram conceito 1, o menor índice do exame, e passam a integrar o grupo de cursos que poderão sofrer processo de supervisão e aplicação de medidas cautelares.

Outras instituições da região também tiveram desempenho abaixo do patamar máximo. A Universidade de Marília (Unimar) obteve conceito 2. Na região de Araçatuba, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis (Fafipe) também recebeu conceito 2, enquanto o Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium (Unisalesiano) alcançou conceito 3. Já a Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) obteve conceito 3 no campus Guarujá e conceito 4 nos campi de Presidente Prudente e Jaú.
SUPERVISÃO E MEDIDAS CAUTELARES
De acordo com o MEC, os cursos com conceito 1 e 2 estão sujeitos a processo de supervisão, com a adoção de medidas cautelares escalonadas, conforme o percentual de concluintes considerados proficientes. Quanto maior o risco ou ameaça ao interesse público e aos estudantes, mais severas poderão ser as medidas adotadas.
No caso específico da FAI, por estar vinculada ao sistema estadual de ensino, ainda há incerteza sobre como se dará a eventual aplicação de medidas cautelares, já que a instituição é supervisionada pelo CEE-SP, e não diretamente pelo MEC.

O QUE DIZ A FAI
Em nota, o Centro Universitário de Adamantina (FAI) se manifestou sobre os resultados do Enamed. “A Instituição respeita e valoriza os processos de avaliação conduzidos pelos órgãos oficiais e reafirma seu compromisso com a qualidade da formação médica, com a melhoria contínua do curso e com a transparência no diálogo com a comunidade acadêmica e a sociedade”, informou.
Ainda segundo o comunicado, a FAI realiza uma análise técnica detalhada dos critérios, indicadores e dados que compõem o resultado divulgado. “O objetivo é compreender integralmente os fatores que influenciaram a nota atribuída e definir as medidas institucionais cabíveis, dentro dos trâmites previstos pelo MEC”, acrescenta a nota.

A autarquia também destacou que as atividades acadêmicas seguem normalmente. “A Instituição permanece à disposição dos órgãos competentes, da imprensa e da comunidade para prestar os esclarecimentos necessários, dentro do que for oficialmente consolidado”, conclui o comunicado.
NOVO COORDENADOR, INTERNATO E DESAFIOS
O resultado do Enamed coincide com um momento estratégico de reestruturação do curso de Medicina da FAI. Na mesma data da divulgação do exame, a instituição anunciou o médico Dr. Alessandro Ferrari Jacinto como novo coordenador do curso.
A nomeação ocorre dias após a homologação judicial de um acordo que encerrou uma ação civil pública e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo FAI, Santa Casa e Prefeitura de Adamantina, garantindo que o internato hospitalar passe a ocorrer integralmente no município.
Com o novo coordenador, a consolidação do internato e o desafio imposto pelo Enamed, o curso de Medicina da FAI entra em uma fase decisiva, marcada por pressão regulatória, expectativa institucional e atenção redobrada da comunidade acadêmica e regional quanto aos próximos passos da formação médica em Adamantina e região.

O QUE É O ENAMED
Criado em abril de 2025, o Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) específica para os cursos de Medicina. Os resultados divulgados referem-se aos 351 cursos participantes do Enamed 2025, dos quais 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui instituições públicas federais e privadas. Os demais são regulados pelos sistemas estaduais.
A avaliação é conduzida pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao MEC.

REAÇÃO
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) “manifesta profunda preocupação com a condução adotada pelo Ministério da Educação e pelo Inep em relação ao Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed)”.
“Grave é atribuir ao Enamed, já na sua edição inaugural, efeitos punitivos severos, como restrição de vagas e o impedimento de novos ingressos, sem qualquer período de transição, validação progressiva ou diálogo estruturado com o setor educacional”, argumenta.
Diante disso, a Abmes “reforça a importância de que o Ministério da Educação reveja sua postura, de modo que os resultados do Enamed 2025 sejam tratados exclusivamente como diagnóstico inicial, voltados ao aperfeiçoamento das próximas edições”.
Por Sigamais, OCNET e G1


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