Uma breve análise sobre a sociedade pós-pandemia através do conceito de modernidade líquida de Zygmunt Bauman
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“Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.”
Zygmunt Bauman
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Nos últimos dias dos atuais tempos vacinais (e abscuros), continuamos a ouvir pelas ditas “redes antissociais” as famosas “falas ditas e depois desditas”. Por outro lado, achei curioso e ao mesmo tempo “engraçado” (para não dizer triste), que nestas mesmas “redes”, ando recebendo “convites” para Manifestações “Pró-Intervenção Militar” “A favor do AI-5”. Ora, mas vejam só…! Imaginem se eu vou para uma manifestação, para defender o direito de não poder me manifestar! É cada coisa viu… Vamos estudar um pouquinho pessoal!
Em meio a tudo isso, em conversas com alguns colegas de trabalho e ex-alunos, comentávamos, pelas videoconferências, o atual cenário em que o mundo se encontra. As suas mudanças, permanências, as estruturas, os novos paradigmas, as evoluções, involuções, etc. Até que por um momento paramos no conceito de “modernidade líquida” do filósofo polonês Zygmunt Bauman (1925 – 2017). Me recordo que, já escrevi sobre ele em outrora, relacionando suas teorias às Redes (anti)sociais.
Para quem não se lembra, o pesquisador compara a rapidez e a imprevisibilidade das mudanças sociais, políticas, das instituições e principalmente das ideias, no atual momento histórico. Algo que segundo ele, não ocorria da mesma forma anteriormente, período no qual denominou de “modernidade sólida”.
O autor também destaca que, em meio a tal “modernidade líquida”, também acaba alterando, de forma muito veloz, as formas sociais, como a família, o trabalho, o amor, a amizade, etc. E isso, acabaria conduzindo a outras situações, como o medo do desemprego, da violência, de não ser aceito por este ou aquele grupo, de não ser o melhor, de não ser o único, entre outros.
Até aí tudo bem…! Errado! Pelo que discutíamos, nos últimos anos, a tal “modernidade líquida” está dando lugar para uma “contemporaneidade gasosa” ou quem sabe uma “modernidade gasosa”. E sobre isso eu explico! Vejam o atual cenário, a rapidez e imprevisibilidade das mudanças supracitadas, elas “ficaram fora de controle” no pós-pandemia. Da mesma forma que, as relações sociais em meio ao isolamento. E com isso, não mais o medo, mas sim a realidade que passa a assolar o cidadão, com o desemprego, a violência, além de tantos outros problemas sociais. E assim começa a surgir uma nova efemeridade, a do (sobre)viver!
Deste modo, percebemos que tais relações estão se alterando de forma mais drástica e mais veloz. Nos remetendo a ideia de que, mais cedo ou mais tarde, fluirão e de forma mais e mais rápida, assim como os gases. Daí a nomenclatura utilizada!
Assim, cabe-nos a breve interrogação: Estaríamos vivendo os tempos gasosos?

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF

