Um breve relato sobre a Liga Anti-Máscara e os atuais usos e desusos das máscaras
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“Sempre haverá mais ignorantes que sabedores enquanto a ignorância for gratuita e a ciência dispendiosa.
Marquês de Maricá
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Nos últimos dias dos atuais tempos vacinais, continuamos a vivenciar os aumentos dos casos da Covid-19. Da mesma forma, que também vivenciamos dia a dia os atuais desusos de um dos principais itens de proteção ao vírus, a máscara. Basta dar uma breve andada pelos centros das cidades para se notar o que menciono acima.
Pois bem, o mais curioso é que historicamente isso também já ocorreu e de forma “organizada”. Dando uma olhadinha no site da BBC News Brasil, eis que me deparo com a matéria: “O que era a ‘Liga Anti-Máscara’, que protestava contra restrições na gripe espanhola”, assinado pela jornalista Alessandra Côrrea.
Ou seja, em meio a uma das maiores pandemias globais, no caso a Gripe Espanhola, existiam grupos que se organizavam e defendiam a “não utilização” das máscaras. Tal fato ocorreu na São Francisco de 1919, nos Estados Unidos, no entanto isso nos direciona ao que tem ocorrido atualmente por lá e por aqui.
Dentre algumas semelhanças entre o movimento de 1919 e os movimentos atuais podemos elencar o fato de que os “manifestantes não usavam as máscaras pelo simples motivo de não gostarem”, outros argumentavam que a exigência era “uma violação de sua liberdade de expressão”, entre outras situações. No entanto, cabe destacar que naquele momento tais manifestantes não tinham acesso aos dados que temos atualmente.
Com o passar do tempo e a obrigatoriedade no uso das máscaras, usá-las passou a ser considerado símbolo de “patriotismo” por lá. Algo bem diferente do que tem ocorrido por aqui e ali.
Outras cidades estadunidenses também tiveram movimentos semelhantes, no entanto o mais organizado foi a Liga Anti-Máscara de São Francisco.
Em seus dados oficiais “a cidade registrou um total de 45 mil infectados e mais de 3 mil mortos, uma das mais altas taxas per capita nos Estados Unidos. No país inteiro, a gripe espanhola deixou 675 mil mortos”.
Enfim, como se vê a história infelizmente está se repetindo, por aqui e ali. Que possamos um dia aprender com os erros de um passado não tão distante!
Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF


