Uma breve análise sobre o discurso do ex-secretário de Cultura
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“Não há nada de errado com a frase!”
Roberto Alvim – 17/01/2020
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Depois de inúmeros episódios da saga Irã x EUA, da incrível série de livros com muita coisa escrita, chegou a vez de mais um episódio da série: “Senta que está faltando história”. É claro que o título desta inimaginável coletânea de asneiras infelizmente é só mais um do que nos espera nos atuais tempos obscuros.
Diversos são os teóricos que versaram sobre a importância da história em nosso meio, Marc Bloch, Jacques Le Goff, Eric Hobsbawm, entre tantos outros. No entanto, a cada dia que passa percebe-se que alguns parecem ter “fugido” dessas aulas. Vejamos:
Trecho 1 – “A arte […] da próxima década será heroica, será ferrenhamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa […] ou então não será nada”.
Trecho 2 – “A arte […] da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa […] ou então não será nada”.[1]
Qual dos dois trechos foi dito por Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda de Adolf Hitler e um dos idealizadores do nazismo em 1933? E qual deles foi proferido por Roberto Alvim, ex-Secretário de Cultura de Jair Bolsonaro em 2020? Parecidos não é mesmo? Então, é bem aí que está faltando a tal da minha amiga “história”. Tão desmerecida nos últimos meses! Aliás não só ela, mas principalmente a área de humanas.
Sabemos o que foi o nazismo, ou pelo menos temos a obrigação “moral” de saber. Afinal, não se matam milhões de pessoas de uma hora para a outra e se coloca tudo para baixo do tapete. Pois bem, após as inúmeras repercussões acerca de tal fala e “semelhanças”, Roberto Alvim foi demitido de seu cargo. No entanto, sabemos que fazer apologia ao nazismo por aqui é crime (ou pelo menos deveria ser!). Haja vista que, isto está aumentando nos últimos meses por aqui.

Enfim, enquanto o novo Secretário não chega, (talvez a “Viúva Porcina”) quem sabe atingiremos a incrível marca de sete dias trabalhando sem passar uma vergonha alheia. Quanto à Cultura, recomendo uma breve leitura de Alfredo Bosi[1] sobre a etimologia da mesma. Afinal, é disto que estamos precisando, entender o que é a tal da cultura, e não criar uma nova cultura seguindo os parâmetros e ideologias de uma classe que está no poder (lembrando que isso vale para os dois lados – esquerda e direita).
Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
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