Um breve relato sobre alguns desencontros em relação a vacina contra o COVID-19s
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“Sempre haverá mais ignorantes que sabedores enquanto a ignorância for gratuita e a ciência dispendiosa.”
Marquês de Maricá
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Nos últimos dias dos atuais tempos alvacentos pós-coronavirais, vimos que uma crescente onda de pessoas que pretendem não tomar a vacina é grande. E isso não é de hoje, como já sabemos. Negar as evidências científicas é algo que remonta ao início da humanidade. Pois bem, assim caminha as terras tupiniquins. Entre os que tomarão e os que não tomarão. Parece até dilema Shakespeareano. Tomar ou não tomar? Eis a questão!
No entanto, é importante destacar que de um lado, muitos apontam a tal “obrigatoriedade”, elencada pelo “chefe do executivo paulista”, em relação a tal vacina. Da mesma forma que do outro lado, outros evocam e enfatizam as falas do “chefe do executivo federal” em resposta a uma “seguidora”, onde o mesmo diz que: “Ninguém pode obrigar ninguém a se vacinar!” Ou seja, no meio da “pendenga pessoal” dos dois quem está levando a pior é o povo. De um lado, pela falta de informação e do outro pela falta de noção!
Cabe destacar que, se o ponto é a tal obrigatoriedade, muitas vacinas “são obrigatórias” em nosso calendário vacinal, é só conferir o Plano Nacional de Vacinação. Isso também não é algo novo! Existem até mesmo sanções, previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), caso os pais não vacinem os seus filhos. Basta conferir!
Outro ponto que merece ser destacado se dá com relação ao descrédito dado à ciência em meio a tudo isso. Pesquisadores, Institutos, Universidades e afins, acabaram caindo no descrédito ou da população. E isso, muitas vezes ocorre devido à falta de “informação” e “conscientização” por parte das autoridades. No entanto, cabe ressaltar que além disso, as “fake news” propagadas pelas ditas “redes antissociais”, também acabaram se tornando grandes responsáveis nesse processo.
É estranho, mas está acontecendo! Cada vez mais, a população “embasada” nas “conversas de boteco”, “correntes de mensagens”, “no terraplanismo”, nos “vídeos dos canais de teorias de conspiração”, e afins, “acha” e está “convencida” de que “está no caminho certo”, no entanto, como bem sabemos, tudo isto só acaba alimentando e pondo cada vez mais em descrédito, anos de estudos, pesquisas, instituições, pesquisadores e universidades. Além de induzir outras pessoas, “menos informadas” ao erro e até mesmo a replicar tais situações.
Enfim, assim que a vacina estiver liberada, estarei na leva dos que preferem tomá-la a esperar algo pior. Caso você ainda esteja do outro lado, recomendo que se informe “com quem sabe do assunto”, diga-se os médicos e afins da referida área, e não com os “palpiteiros de plantão”. Fica a dica!
Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF


