Como era o ensino a distância mesmo?
Uma análise sobre como era o ensino a distância a alguns anos atrás
***
“Criar meu web site / Fazer minha home-page / Com quantos gigabytes / Se faz uma jangada um barco que veleje / Criar meu web site […]
[…] Que veleje nesse infomar / Que aproveite a vazante da infomaré / Que leve um oriki do meu velho orixá / Ao porto de um disquete de um micro em Taipé.”
Pela Internet – Gilberto Gil
***
Em meio a quarentena dos atuais tempos obscuros pós-coronavirais, algumas áreas começaram a ganhar “espaço”. Uma delas é o do Ensino a Distância, também conhecido como EAD. Como se sabe, tal metodologia de estudo já é bem conhecida pela grande maioria das pessoas, no entanto ainda acaba gerando algumas desconfianças por este ou aquele motivo.
O que os mais jovens desconhecem é que muitas pessoas já realizaram inúmeros “cursos” por meio de tal modalidade. É claro que, a alguns anos atrás os computadores ainda não haviam se popularizado e quiçá possuíam tal utilidade. Então, como eram realizados os estudos? Por correspondência (cartas).
O primeiro registro que se tem do Ensino a Distância, é do ano de 1728. Idealizado pelo norta-americano Caleb Phillips, o curso capacitava os seus usuários para o “mercado de trabalho”, especialmente em agências dos correios locais. Aqui no Brasil o EAD chegou em 1904, com a oferta de um curso de datilografia por correspondência.
Só para se ter ideia do que estou falando, era fato comum, entre os anos 1960 a 1990, ao abrir uma revista, gibi ou jornal, existirem propagandas de cursos com “cartões-resposta”. Caso houvesse interesse, você preenchia um desses cartões com os seus dados, forma de pagamento e o enviava. Em poucos dias, o material correspondente chegava. Mas, também existiam revistas semanais que podiam ser adquiridas nas bancas. E assim, de uma forma ou de outra, tinha início o seu ciclo de estudos a distância.
Cabe destacar que, em meio a tudo isso, também vieram as fitas K-7, os DVDs e as video-aulas. E claro, com o passar do tempo e com o advento da internet, toda essa forma de acesso, acabou caindo em desuso. O que acabou dando margem para as inúmeras plataformas e sites adentrarem tal mercado.
Atualmente, você ainda conseguirá encontrar uma grande parcela da população que acabou vivenciando tudo isso, e até hoje ostentam os seus inúmeros certificados obtidos nessa época, alguns de cursos um tanto quanto “curiosos”.
Enfim, o que sabemos é que, em meio aos atuais “tempos obscuros coronavirais”, o tal do EAD vai durar um “bom tanto” ainda. Mas, em meio a tantas e tantas coisas ruins dos últimos dias, couberam ao menos por aqui, algumas recordações de outros tempos não tão distantes a distância.
Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
tiagorsalves@gmail.com



