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ARTIGO: O Carnaval e sua politização ao longo dos anos

Por AdamantinaNET 25/02/2020 08:28 Atualizado em 02/03/2020 11:48
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Uma breve análise sobre como algumas Escolas de Samba retrataram temas polêmicos ao longo do tempo

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“Favela, pega a visão / Não tem futuro sem partilha / Nem messias de arma na mão / Favela, pega a visão / Eu faço fé na minha gente / Que é semente do seu chão.”

A VERDADE VOS FARÁ LIVRE – SAMBA-ENREDO – ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA – 2020

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Quando se fala em carnaval, estamos nos referindo a uma das maiores festas populares ocorridas em nosso país. Há quem goste e quem não goste, mas o importante é que ela também é uma festa onde o “povo” também está representado através daquilo que pensa e acredita.

Nesse sentido, me ative a alguns fatos que ocorreram no primeiro dia dos desfiles das Escolas de Samba de São Paulo, algumas críticas foram explícitas nos diversos carros alegóricos e alas de algumas delas, aos nossos governantes. O mais curioso é que, ao longo do tempo diversos foram o temas ditos “polêmicos” que já circularam em nosso carnaval.

Para se ter uma ideia, diversos foram os momentos de proibições e censuras a carros e sambas-enredos. Devemos nos atentar que, até a década de 1930 as perseguições e mesmo proibições eram muitas, no entanto nos anos seguintes os carnavais deveriam retratar temas nacionalistas, haja vista a política nacionalista de Vargas.

Nos anos posteriores, o tom político e de resitência também ganhou ares e passou a ser retratado em muitas Escolas de Samba. Em algumas breves pesquisas nos sites de busca é possível encontrar muitas dessas situações, no entanto pontuei algumas das mais conhecidas. Vejamos

1 – Quilombo de Palmares – Salgueiro – 1960

Era a primeira vez que a escravidão era retratada em um desfile, o que deu o 1º título ao Salgueiro.

2 – Iemanjá no desfile da Império Serrano e São Clemente – 1966

Até então nenhum orixá ou sequer o candomblé havia sido mencionado em um samba-enredo, reafirmando as nossas matrizes africanas.

3 – Os “Heróis da Liberdade” da Império Serrano – 1969

A escola trouxe o samba-enredo “Heróis da Liberdade” numa clara crítica ao Regime Militar.

4 – Macobeba da Unidos da Tijuca – 1989

Em seu samba-enredo também havia uma metáfora clara em alusão ao Regime Militar, que ainda não havia terminado.

5 – Cristo Redentor proibido – Beija Flor – 1989

O carnavalesco Joãozinho Trinta pretendia trazer um dos carros com o Cristo Redentor de mendigo, ladeado por mendigos também. No entanto, o mesmo fora proibido em meio a ação movida pela Arquidiocese do Rio de Janeiro. Ainda assim, o Cristo desfilou coberto com um saco de lixo e com os dizeres, “Mesmo proibido, olhai por nós!”

6 – Betinho, no desfile da Império Serrano – 1996

Em tom de crítica ao Governo FHC.

7 – Crítica ao Agronegócio – Imperatriz Leopoldinense – 2017

A escola destacava em seu samba-enredo a destruição das terras e reservas indígenas, afetadas pelo agronegócio.

8 – O Presidente Vampiro e os Manifestoches – Paraíso do Tuiuti – 2018

A escola não economizou críticas ao Governo do então Presidente Michel Temer e nem aos manifestantes que pediram o Impeachment da ex-Presidente Dilma

9 – Críticas à Marcelo Crivella – Mangueira – 2018

Em um de seus carros o Prefeito do Rio de Janeiro, aparecia como um “Judas” e com os dizeres, “Prefeito, pecado é não brincar no carnaval”. Além disso, o Cristo de Joãozinho Trinta também foi retratado como dizeres, “Olhai por nós, o Prefeito não sabe o que faz.”

Nesse sentido, e destaco que, escrevo este breve texto no sábado, ainda temos 3 noites de carnaval para ver o que nos aguarda neste ano. Mas, já temos uma pista em meio a “Palhaço Presidenciável, “Marielle Franco” e “Faxineiras com passaporte”. Assim, seja aqui ou ali o Carnaval também é história, cultura, política e acima de tudo um “grito” das massas.

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
tiagorsalves@gmail.com

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