ARTIGO: O artigo, as “escritas” e a inflação climática
Por: Nivaldo Londrina Martins do Nascimento (MTb 35.079/SP.)
No dia 4 de outubro, portanto na antevéspera das eleições municipais, publiquei (por sugestão de um amigo que foi candidato ao cargo de vereador em Adamantina) o artigo Domingo é dia de quarto escuro, onde fazia uma pequena dissertação no texto Quarto escuro, de Mauro Cardin. Infelizmente, os argumentos que usei no aludido trabalho se confirmaram no domingo e isso acabou me rendendo sérios desencontros com velhos amigos.
O fracasso nas urnas os fez virar a cara comigo, como se o inocente texto fosse o culpado pela estadia deles no quarto escuro. Lá se foram os bons-dias e os boas-noites que eu sempre recebia desses estimados amigos. A falta dos cordiais cumprimentos quase encerra a minha sofrida carreira de articulista. Só voltei a escrever pela insistência do professor Cido de Bauru que disse que estava cansado dos textos “monjolo” de certos escribas (que na falta de vocabulário e de assuntos, usam sempre as mesmas palavras e os mesmos temas nos seus escritos). Continuemos.
Nas eleições de 2024, algumas “escritas” foram mantidas na Nova Alta Paulista. Detalhe. No dia 28 de julho deste ano, no artigo Atualizações, recortes, números e perguntas, falei sobre essa questão em Adamantina. Não deu outra. Repetindo 2004 e 2012, quatro candidatos disputaram o cargo de prefeito na Cidade Joia. Além disso, o atual alcaide, reeleito em 2020, da mesma forma que os prefeitos reeleitos em 2000 e 2008, não conseguiu fazer o seu sucessor. Agora resta aguardar 2032 para ver se essa “escrita” será quebrada, pois, se depender de uma outra “escrita” , na eleição de 2028, a oposição deverá apresentar um pobre candidato “sparring”.
Outra cidade que manteve a “escrita” foi Dracena. Por coincidência, no dia 25 de agosto de 2023, publiquei o artigo Observações políticas em Adamantina e Dracena, onde falava que não reeleger prefeitos havia virado tradição entre os eleitores da Cidade Milagre. Tiro e queda. Na eleição deste ano, a candidata da oposição Gení Lobo (PP), foi eleita com 12.641 votos, ou seja, 52,89% dos eleitores votaram nela. Enquanto isso, André Lemos (Republicanos), candidato à reeleição, teve 11.260 votos, ou seja, 47,11% dos eleitores dracenenses queriam que ele continuasse à frente da prefeitura por mais quatro anos. Mais uma “escrita” que não foi quebrada. Aguardemos 2028.
Meio ambiente é o último assunto do dia. Como num repeteco de eleições anteriores, o meio ambiente foi tratado de forma vaga nos planos de governo da maioria dos candidatos em 2024. Ninguém falou, por exemplo, da importância de preservar córregos e nascentes. Muito menos de implantar um programa de recuperação das matas ciliares que deveriam proteger esses mananciais. A propósito, o meio ambiente está diretamente ligado ao bem-estar da população. Não só na saúde pública, mas também em outras áreas. Inclusive, nas gôndolas dos supermercados. Explico.
Secas prolongadas, costumam gerar o pior tipo de inflação que existe. Tempestades, idem. Entretanto, a inflação climática (como o próprio nome diz) só existe porque a natureza resolveu responder aos ataques que vem sofrendo do homem há muitas décadas. Tanto as longas estiagens, quanto os temporais, são eventos climáticos extremos provocados pela ganancia do ser humano. Esses eventos prejudicam a produção de alimentos e a vida das pessoas mais humildes.
Recuperar matas ciliares e proteger nascentes pode não resolver problema de tamanha magnitude, mas já é um começo para preservar o Planeta Terra. Obs: Nos próximos dias estarei tratando do lançamento de mais uma obra literária de minha autoria, portanto ficarei longe dessa coluna por algum tempo.