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Com mais de 60 anos de casados, marido e mulher morrem no mesmo dia por Covid-19 no HR de Prudente

Por AdamantinaNET 29/06/2020 18:42
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No dia 5 de janeiro deste ano, Alcides Albano Gomes, de 80 anos, e Maria de Lourdes de Souza Gomes, de 85, completaram 60 anos de casados. E se tem uma palavra que os filhos usam para definir o casal, de Pirapozinho (SP), é união. Foram seis décadas dedicadas à família, e um ao outro. A cumplicidade foi tanta que os dois morreram no mesmo dia, vítimas também da mesma doença: a Covid-19.

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Alcides é de Marília (SP) e Maria de Lourdes, de Aracaju (SE). Eles se casaram no Oeste Paulista e tiveram quatro filhos, dez netos e seis bisnetos.

O segundo filho do casal, Carlos Alberto Gomes, de 53 anos, contou que o pai apresentou sintomas do novo coronavírus primeiramente.

“Ele começou a ter febre e sintomas de gripe. Foi ao Hospital Regional [HR] de Presidente Prudente (SP) e o médico falou que era pneumonia. Deram medicação, foi para casa, mas a febre não passou. Quando ele voltou para o HR, já foi direto para a UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e foi entubado”, disse.

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Conforme o HR, o idoso foi internado na unidade no dia 30 de maio. Já a esposa deu entrada no hospital no dia 3 de junho.

“Primeiro ela procurou o Pronto-socorro de Pirapozinho, mas foi encaminhada para o HR. Também chegou e já foi entubada. Eles chegaram a fazer o teste rápido, mas deu negativo. No HR, eles fizeram o outro [swab] e o resultado veio positivo para o coronavírus”, explicou Gomes.

A filha mais nova do casal, Regina Aparecida Gomes, de 45 anos, relatou que os pais saíam apenas quando necessário para ir a banco, mercado ou farmácia, e a mãe tinha medo de ser contaminada pela Covid-19.

“Eles não estavam saindo muito e sempre tomando cuidado, usando máscara, álcool em gel e água sanitária para limpeza. Minha mãe tinha muito medo de pegar a doença”, falou.

O casal morava sozinho em uma residência e a filha, que também vive em Pirapozinho, sempre visitava os dois. Ela e o irmão afirmam que os pais eram muito unidos e faziam tudo juntos.

“Faziam orações juntos, tomavam café juntos e, quando precisavam sair, também eram juntos. Sempre os dois”, relatou a filha.

“Eles nunca faziam nada separados. Nunca ficaram longe um do outro. Essa união foi passada para toda a família”, disse o filho.

A partida

No último sábado (27), a família foi avisada pelo hospital de que Maria de Lourdes havia morrido. No mesmo dia, no final da noite, veio a notícia de que Alcides havia morrido também.

“A união deles foi até na hora da morte”, contou Regina.

Ela afirmou que o pai não ficou sabendo que a esposa tinha falecido, já que ele estava entubado e inconsciente.

“Mas acho que ele sentiu, porque o médico falou que ele se mexeu quando ela morreu. Era uma ligação muito forte entre eles”, destacou.

Regina também contou que a família torcia pela melhora dos dois e pela alta hospitalar.

“Ficamos surpresos com a partida deles no mesmo dia, mesmo com a união dos dois. Claro que a gente esperava que fossem receber alta. Apesar de que, se tivesse ido apenas um, o outro iria sofrer muito. Também não ficaria muito tempo sozinho”, enfatizou.

Os filhos ainda comentaram sobre o momento difícil da perda e os protocolos de saúde que não permitem velório.

“Não tem velório. Colocam o corpo dentro de um saco e depois no caixão”, disse Regina.

“Não pudemos fazer um velório digno para nos despedir. Não deu nem para colocar uma roupa de que eles gostavam. É muito triste”, salientou Gomes.

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