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Banalização do mal? Onde? Quando? Nem vi…

Por AdamantinaNET 08/06/2019 12:09 Atualizado em 08/06/2019 12:11
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Uma breve análise sobre a sociedade e o fenômeno da banalização do mal em tempos atuais

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“O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido..”

Discurso de Charles Chaplin – Filme: O Grande Ditador

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Recentemente o que mais se tem ouvido na região são os diversos casos de violência por aqui ocorridos. Os meios de comunicação cotidianamente versam sobre este ou aquele crime, e o mais curioso é que parece que estamos nos acostumando a tudo isso. Em uma roda de conversa, outro dia, um colega comentava sobre esse fenômeno que estamos vivenciando, dizia ele que “até parece que nos acomodamos com o mal que nos cerca constantemente”.

E de fato, isso me fez lembrar da pesquisadora alemã Hannah Arendt, que cunhou o conceito de “banalidade do mal”. Por ter entrado em contato com os horrores produzidos pelo holocausto, Arendt analisou como as pessoas começam a ver e a tratar o mal como algo “normal”. Segundo ela, isso muitas vezes pode ocorrer devido ao cumprimento de uma ordem ou mesmo de uma “ideologia”, agindo assim de forma “mecanizada” ou “habituada” a este ou aquele comportamento.

E isso nos leva a outro ponto, a tal “banalidade do mal” ainda permanece de forma constante em nosso meio e de certa forma impera na nossa atual sociedade. Basta dar uma olhadinha nos meios televisivos, nos vídeos repassados nos grupos de Whats App, nas redes sociais, provavelmente você verá algo ruim e muitas vezes nem se importará devido à quantidade dos mesmos.

Nesse sentido, é comum percebermos que muitas vezes a morte de um grupo de refugiados, chama menos a atenção, do que o nascimento do bebê real. Talvez seja nesse ponto que precisaríamos retomar de onde paramos de ser realmente “humanos”. O que nos leva a outro ponto, o da exclusão de responsabilidades, repetindo aqueles mesmos discursos de outrora: “Mas, o que eu posso fazer?”

Assim, em tempos de “banalização do mal”, neste ou naquele canto do país, precisamos de seres MAIS humanos, que olhem para o outro como “único” e não como “mais um”, independentemente da raça, do credo, da ideologia, do partido, da opção sexual, do poder econômico, etc. Quando assim, começarmos a agir, quem sabe a sociedade mudará. Portanto, comece por você!

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor e Historiador

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