Sexta-feira, 14 de março de 2003, um trabalhador se prepara para mais um final de semana. Despede-se dos colegas de serviço, entra no carro e segue para casa. Minutos depois, uma fechada no trânsito, e um tiro; mais cinquenta metros, uma árvore no caminho, mais disparos, e fim da viagem.
Assim termina a brilhante carreira do juiz-corregedor Antônio José Machado Dias, 47 anos, 18 de magistrado, e começa um novo capítulo da polêmica causada pela construção de presídios na nossa região: o que se deduz é que a ordem do assassinato saiu de dentro de uma prisão.
Se isso for confirmado, muitas perguntas se insinuam. A primeira: onde estavam os legítimos representantes do povo quando começou a construção deliberada dos presídios no Oeste Paulista? Já para a sociedade, que, com exceção da de Osvaldo Cruz, pouco ou quase nada fez para impedir esse presente de grego do governo, o questionamento é bem maior:
- É justo, além dos detentos, punir também seus familiares, transferindo presos para mais de 600 quilômetros de suas cidades?
- É justo atrasar o atendimento jurídico das pessoas da região, com o acúmulo de processos de presos?
- É justo priorizar o atendimento aos presos nas nossas unidades de saúde, e prejudicar os munícipes locais?
- É justo termos o nosso meio ambiente degradado pelos esgotos sem tratamento dos presídios?
- É justo uma população que tinha muita tranquilidade ficar em pânico diante dos acontecimentos que aí estão?
- É justo nossa região, apesar de ter recebido tantos presídios, não ter uma atenção especial do governo do Estado, que poderia, como forma de compensação, construir um hospital regional ou repassar recursos financeiros calculados em cima do que é gasto com o sistema prisional para os municípios prejudicados investirem em programas sociais?
- Será que os presídios não inibem a vinda de indústrias para nossa região?
- Será que não existem terrenos próximos à capital para construção de presídios?
Finalmente, gostaríamos de responder à pergunta-título, e dizer que quem matou o juiz foram todos, que, pela omissão, deixaram que fossem construídas uma grande quantidade de penitenciárias na nossa região e também aqueles que, por interesses escusos, contribuíram para que o crime organizado se tornasse mais organizado que as instituições que deveriam combatê-lo.
Obs: Publicamos este texto no Jornal Diário do Oeste, em 18 de março de 2003. Poucas autoridades políticas falavam sobre o que estava acontecendo. A submissão ao governo do Estado colocava limites. De lá para cá, muitos outros presídios foram construídos na região, inclusive um na cidade de Osvaldo Cruz.

