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ARTIGO: Eleições 2024 em Adamantina (primeira parte)

Alcio Ikeda, Gustavo T. Rufino, João C. Contiero e Luizinho Bil (em ordem alfabética para evitar ilações maldosas), são os primeiros nomes que estão sendo colocados como possíveis pré-candidatos ao cargo de prefeito nas eleições do próximo ano. Como é cedo para dizer se tais previsões serão confirmadas, hoje vamos recordar um pouco das eleições ocorridas nos últimos 40 anos em Adamantina.

Nessas quatro décadas, só um grupo político conseguiu se manter no poder por três mandatos consecutivos. Ainda assim, porque tinha como líder nada mais nada menos que Sergio G. Seixas, que é considerado por muita gente como o maior prefeito que a cidade teve. O grupo, além de Seixas, elegeu Elio Micheloni e Ivo Santos.

A histórica hegemonia política começou em 1982, e só foi quebrada pela oposição em 1996, com a vitória de Laércio Rossi. Importante lembrar que o candidato apoiado pelo grupo que havia vencido as três últimas eleições era César A. Molina, pessoa de caráter ilibado, educada e muito competente. Entretanto, o desgaste natural de 14 anos no poder (o mandato de Seixas teve seis anos) e rupturas entre aliados foram determinantes para a sua derrota.

Em maio de 1997, foi aprovada a reeleição para cargos executivos no Congresso Nacional . Com isso, o caminho ficou aberto para Laércio Rossi ser reeleito em 2000. A propósito, há quem diga que se o candidato da situação não fosse Rossi, o resultado da eleição teria sido outro, haja vista a pequena diferença (67 votos) entre ele e o seu adversário.

Em 2004, a eleição teve quatro candidatos. Três deles, Ivo Santos, Kleber Bragato e Luiz Carlos Galvão, eram oriundos do grupo político de Seixas; que agora, juntamente com antigos aliados, apoiava Kiko Micheloni.  Portanto, a disputa era entre três candidatos, que em algum momento da vida estiveram juntos e um que representava o novo na política da cidade.

O desgaste dos oito anos do mandato de Rossi se dividiu entre Galvão (por ter sido peça chave nas duas eleições anteriores) e Bragato (por ser o candidato oficial do grupo do prefeito). Já Ivo Santos, foi penalizado pelas lembranças que alguns ex-secretários traziam na sua campanha, uma vez que é próprio do ser humano recordar com mais facilidade os erros do que os acertos de alguém. Com isso, o vencedor da concorrida eleição foi Kiko Micheloni.

A nova administração colocou a casa em ordem e investiu em muitas áreas de interesse público, com destaque para a criação de centenas de bolsas de estudos no ensino superior. Ao mesmo tempo, decisões judiciais retiravam Rossi da disputa eleitoral de 2008. Sem o principal adversário e com altos índices de aprovação, a reeleição de Kiko Micheloni não foi surpresa para ninguém.    

Em 2012, tivemos nova eleição com quatro candidatos ao cargo de prefeito: José R. Ferreira (candidato da situação), Ivo Santos, João Grandão e Beth Meirelles. Como a disputa se polarizou entre os dois primeiros, vejamos um resumo da campanha deles. Enquanto erros cometidos nos oito anos de governo e o rompimento de algumas pessoas com importantes aliados da campanha de 2004, pesavam para José R. Ferreira; a articulação de Luiz Carlos Galvão, ex-secretários sendo discretos dessa vez (não apareciam muito) e um vice que estreava na política (Pacheco) davam leveza na campanha e mais um mandato para Ivo Santos.

Outro fato que chamou atenção na eleição de 2012, foram os vereadores eleitos para o mandato 2013/2016. O DEM, apesar de ter ficado em segundo lugar na disputa para prefeito, elegeu quatro representantes, o PSDB fez o prefeito, mas só elegeu um vereador (Luiz Carlos Galvão); e as outras quatro cadeiras foram ocupadas por PR, PT, PSB e PV. Como PT e PV também tiveram candidatos ao cargo de prefeito, tudo indicava que Ivo Santos não teria vida fácil na Câmara dos Vereadores.

Mal o novo prefeito tomou posse, já começaram as desavenças entre os seus aliados. Para piorar, o que parecia ser um simples desentendimento de amigos, foi denunciado na Câmara dos Vereadores e culminou com a cassação por quebra de decoro parlamentar do mandato de Luiz Carlos Galvão.  O hábil vereador conseguiu derrubar a decisão tomada por seus pares no TJSP, e a discórdia se instalou de vez no governo. Além da forte artilharia da oposição, agora Ivo Santos teria que saber lidar com um perigoso fogo amigo.

Por hora é isso, caro leitor. Na próxima edição, publicaremos o final deste texto que marca a nossa volta às colunas de jornais. Até lá!

 

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