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ARTIGO: Cancelaram o Censo e agora?

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Um breve relato sobre o cancelamento do Censo Demográfico de 2021

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“A população cresceu, o Brasil não. A maturidade ainda está longe. O Brasil continua menino. Seu juízo é pouco.”

Gilberto Amado

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Como todos vocês, que acompanham esta coluna semanalmente, devem ter percebido na última semana acabei não publicando nenhum texto por esta coluna. E por aqui cabe a explicação… Em virtude de compromissos acadêmicos, diminuirei o ritmo que desde então passará a ser quinzenal.

Explicações dadas, vamos ao que nos interessa! Bom… No último dia 23 (sexta-feira) em uma das falas do secretário da Fazenda, Waldery Rodrigues, em virtude de cortes no orçamento federal, tivemos o cancelamento do Censo Demográfico de 2021.

Não quero e nem vou entrar em discussões ideológicas e políticas sobre isso, no entanto cabe destacar que muitos dados, indicadores e informações que servem de base para outros estudos e claro, para fomentar as diversas políticas públicas, ficarão prejudicados. Vejamos!

Muitos desconhecem a importância de tal processo e acham que o Censo serve apenas para contar a população. Mas não é bem isso! “O Censo é uma pesquisa realizada a cada 10 anos pelo IBGE. O levantamento realiza uma ampla coleta de dados sobre a população brasileira e permite traçar um perfil socioeconômico do país

Dentre as áreas que podem ser afetadas pela não realização do Censo, destacam-se:

  • Calibragem da democracia representativa, através da contagem populacional (definição do número de deputados federais e estaduais e de vereadores);
  • Determinação dos públicos-alvo de políticas públicas federais, estaduais e municipais;
  • Detalhamento da população em risco para campanhas de vacinação;
  • Ajustes nas políticas para superação e recuperação pós-pandemia;
  • Distribuição das transferências da União para estados e municípios, com impacto significativo nos orçamentos públicos (segundo o IBGE, em 2019, 65% do montante total transferido da União para estados e municípios consideraram dados de população);
  • Transferências e recursos para a administração do Bolsa Família;
  • Identificação de áreas de investimento prioritário em saúde, educação, habitação, transportes, energia, programas de assistência a crianças, jovens e idosos. 

Diante de tudo isso, nos resta apenas a singela pergunta: O que esperar sem os dados de 2021?

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, historiador e gestor ambiental

Membro correspondente da ACL e AMLJF

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