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ARTIGO: O que é um mito? Como surgem?

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Uma breve análise sobre o conceito de mito a partir do pesquisador Patrick Banon

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“Existem inúmeras religiões sobre a Terra, e todas parecem ser o reflexo das preocupações humanas que se repetem em muitos povos, sobretudo daquelas ligadas aos grandes mistérios da existência: o nascimento, a vida e o destino dos homens após a morte.”

Patrick Banon

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Nos últimos dias dos atuais tempos vacinais (e abscuros), algumas falas “novas” andaram surgindo por aí no território das “redes antissociais”! Temos aqueles que disseram e não dizem mais! Mas, também temos aqueles que continuam no mais do mesmo de sempre, bazofiando e bazofiando aos quatro ventos! E assim caminha a humanidade, como diria Lulu Santos.

Por outro lado, e deixando de lado a “galera do disse que me disse”, em meio a uma leitura e outra, eis que me deparo com um dos livros de minha época de graduação: Para conhecer melhor as religiões, de Patrick Banon[1]. Uma boa, rápida e simples análise acerca das religiões ao redor do mundo, desde os seus primórdios, até os dias atuais.

Em um de seus capítulos, Banon procura responder à pergunta: O que é um mito?

O mito é uma narrativa que se inscreve num tempo anterior ao tempo da história. O mito é uma linguagem indispensável para veicular através das gerações uma explicação da organização do universo e do lugar do homem nele. Ele tem o valor de exemplo: serve de instrumento de medida das ações humanas. (2010, p. 54) (grifo nosso)

Pois bem, é interessante notar que, independente da crença professada, os mitos, existem e estão lá, para este ou aquele grupo, hoje ou em outrora. Por outro lado, se existem, é devido à uma crença professada e propagada por outrem. Não existem mitos, sem crentes. Assim, tais “valores”, professados em um determinado momento histórico, possuem influências de tais “mitos”, haja vista que conforme supracitado, “servem de instrumento de medida das ações humanas”.

Nesse sentido, cabe ressaltar que até mesmo inúmeras instituições, ritos, leis e costumes, derivam e contribuem para a propagação dos “mitos” ao longo do tempo.

Basta dar uma olhadinha em qualquer livro religioso, e compará-lo com algumas “regras e/ou costumes” adotados pela nossa (ou outra) sociedade. Garanto que, muito do que realizamos em nosso dia a dia, deriva deste ou daquele livro.

Deste modo, Banon continua:

O termo “mito”, derivado do grego mûthos, revela a importância da eloquência, de uma maneira de narrar capaz de convencer, persuadir, dizer a verdade. O mito é a expressão de um projeto para o mundo, um “conto que conta a verdade”, lançando uma narrativa numa dimensão superior ao homem, fazendo este último entrar num espaço sobrenatural onde se cruzam a realidade cotidiana dos seres humanos e o irreal dos deuses e dos heróis. (Idem) (Grifo nosso)

E assim, cada localidade, cada tempo histórico, cada grupo, cria e adequa o seu “mito”, a partir daquilo que vivencia, da mesma que surgem as cisões, por se entender isso ou aquilo de forma diferente. O que consequentemente, nos leva a diferentes “mitos de criação”, “mitos de heróis”, “mitos apocalípticos”, “mitos sobre o pós vida”, etc., ou seja nos levando a inferir que, ao redor do mundo todo, incontáveis e diversos, são os “mitos” que nos rodeiam.

E isso nos leva a célebre pergunta: Qual é o certo? Não sei! Mas defendo a ideia de que, cada qual acredita naquele que melhor lhe convém! Ou quem sabe, nem acredite! Assim, para refletirmos, concluo com uma frase de Joseph Campbell, acrescida de uma interrogação: “Mitologia é o nome que damos às religiões dos outros(?)

Tiago Rafael dos Santos Alves

Professor, Historiador e Gestor Ambiental

Membro Correspondente da ACL e AMLJF

tiagorsalves@gmail.com

 

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