ARTIGO: A construção da história nas cidades através de suas “homenagens”

Uma análise sobre algumas homenagens feitas por grupos políticos locais ao longo da história

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“Aqueles que merecem um monumento não precisam dele.”

William Hazlitt

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            Estes dias, por aqui ou ali, acabei escrevendo algo sobre a quantidade de “homenagens” que as cidades (diga-se poder público) realizam aos mas diversos “representantes” das esferas políticas. E nisso, pontuo os da “ativa” e os que um dia por ali também passaram.

            Só para se ter uma ideia do que estou falando, tente se lembrar dos principais nomes das ruas de sua cidade. Com certeza você verá homenagens aos ditos “pioneiros” ou de algum “político” de outrora, ligado às lideranças locais.

            Não quero e nem devo dizer que, tais homenagens não devam e/ou deviam ser realizadas, mas acredito que assim como fora feito na história de nosso país, assim foi e está sendo feito em algumas cidades. Ou seja, a história, a memória, a eternização de algo ou alguém, foi e é feito por quem está no poder (o grupo dominante). Assim, a história tende a repetir “somente um” de seus muitos lados.

            Já imaginaram quantas pessoas chegaram no início da fundação de muitas destas cidades (diga-se o Extremo Oeste Paulista). Pois bem, a história, ou melhor, a versão da história delas muitas vezes sequer foi ouvida e/ou contada. Tratam-se dos “pioneiros anônimos”, aos quais “ninguém” se lembra.

Mas, qual o motivo dessa “não lembrança”? Arrisco um palpite: Talvez, por não serem de “famílias tradicionais”, nem “abastados”, nem “donos” de algum comércio, por não serem “políticos” (ou ligados a algum grupo político), etc.  Mas, simplesmente porque eram “apenas trabalhadores”, que um dia lutaram para muitas destas cidades chegassem ao patamar que são hoje.

Muito me entristece em saber que, o trabalhador que abriu o caminho e por ali fez uma rua, nunca terá o seu nome lembrado nela. Ao contrário, coloca-se o nome de alguém que nunca sequer a pisou um dia. E digo o mesmo em relação aos demais prédio e praças.

Enfim, mesmo sem as ditas “homenagens” do poder público, ontem e hoje, por aqui cabe o alerta sobre a forma de como a história, a memória e as “homenagens” foram e são construídas e perpetuadas em alguns lugares. Ah… Uma dica aos nobres edis dos diversos “rincões” do Extremo Oeste Paulista: Por que não homenagear o “Pioneiro Anônimo”, tendo em vista os diversos grupos que por aqui um dia se instalaram. Fica a dica!

 

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da ACL e AMLJF
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