ARTIGO: “A política nos tempos pós-contemporâneos”

 

 

Não é novidade nenhuma, que quando se fala em política há um desinteresse muito grande da população brasileira. E infelizmente quando se fala nesta, surgem os bombardeios de interpretações errôneas, grosseiras e até mesmo ofensivas por se defender este ou aquele partido.

Dentre deslizes e desmandos de outrora, parece que muito pouco se alterou. A “política da concessão de cargos”, do “nepotismo” e do “clientelismo” ainda impera, mesmo que seja de forma maquiada nas mais diversas formas, condições e tipos de governos.

Reino, Império ou República, independente da forma de governo, o que se presenciou até os dias atuais foi meramente uma inversão do conceito de política, onde o que deveria ser em prol do público, passou a dar lugar ao privado, e nesse sentido de pequenos grupos que foram e são legitimados pelo povo.

Nesse sentido, de se legitimar a corrupção, sempre ouvi um jargão bem conhecido e que acabou rotulando certos candidatos em momentos de campanha: “Ele rouba, mas faz” (ou coisa do tipo). Eleger tais políticos elencando insinuações como esta, me soaria como alguém que tem o celular roubado, mas agradece ao ladrão por deixá-lo ligar para casa.

Em meio a tudo isso, há uma solução? Ainda há uma luz no fim do túnel? Claro que sim. Existem inúmeras pessoas com boas ideias e que poderiam fazer toda a diferença, no entanto, acabam esbarrando nos entraves partidários, sendo coagidos a votarem de acordo com suas respectivas legendas e bancadas, não exercendo o poder que de fato lhes foi conferido pelo povo. Dessa forma, reformas na área política se fazem mais do que necessárias, no entanto, como sabemos isto ainda está bem distante de ocorrer.

O que nos leva a mais uma questão, que soa como seriado de TV, mas sem o herói: E agora, quem poderá nos defender?  Como presenciamos, cada mais a mídia televisiva exalta o candidato X de um lado, as redes sociais o candidato Y por outro, discursos de ódio por aqui, ofensas ao partido X, Y e Z por ali, enfim, confusões não faltam. Mas, a pergunta que não quer calar? A política não deveria girar em prol do país? E as propostas, onde estão? Quais são?

Sem reformas (pelo menos sem “a reforma” que deveria acontecer), sem candidatos e com a mesma política de sempre, o que nos espera? O candidato X ou Y? O da esquerda ou da direita? Enfim, enquanto nada de concreto se firma, cabe a população o maior poder que lhe é conferido, o da escolha. Uma escolha neutra, sem se deixar levar por este ou aquele partido ou interesse (motivado por frases prontas e clichês), ou quiçá pelos devaneios de marqueteiros ligados a esta ou aquela empreiteira ou grupo televisivo.

Enfim, tudo isso nos leva a apenas uma constatação, de que a política pós-contemporânea ainda continua atrasada como sempre, mas se atualiza cada dia mais, em prol do privado. E se, nada disso um dia mudar, a tão almejada transformação social ficará apenas nos livros, nas teorias ou mesmo na memória dos que um dia sonharam com tudo isso.

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor, Historiador e Gestor Ambiental
Membro Correspondente da Academia Caratinguense de Letras – ACL e da Academia Maçônica de Letras de Juiz de Fora – AMLJF

 

*Texto selecionado no IV Concurso Literário do Grande Oriente do Brasil de Minas Gerais (GOB-MG) para compor a IV Edição do Livro Obreiros em Tempo de Articulação – Literatura do GOB-MG – Tema: Política e Transformação Social

 

 

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