ARTIGO: Religião para ser intolerante? Será?

Uma análise sobre os últimos casos de intolerância religiosa ocorridos em nosso país

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            No último dia 11 (quinta-feira), mais uma caso ocorrido no Rio de Janeiro me chamou a atenção. Tratava-se de mais um caso de destruição de um terreiro de candomblé[1]. O mais curioso em relação a tudo isso é a forma como os “traficantes” agiram, se intitulando como “bandidos de Jesus”. Infelizmente, isso nada tem de novo. Inúmeras foram as perseguições aos cultos de matriz africana em nosso país. Mas, parece que nada disso se alterou com o passar do tempo.

            Sempre ouvi “todo mundo” dizer que, futebol, religião e política não se discutem! Mas, como não sou “todo mundo”, vamos ao que nos interessa, a tal da intolerância religiosa. Como o nome já diz, esta consiste nas atitudes de desrespeito à qualquer crença religiosa. Nesse sentido, penso que precisamos começar a pensar um pouquinho fora das “rédeas histórico-culturais” que nos moldaram.https://scontent-atl3-1.xx.fbcdn.net/v/t1.0-9/65601949_2498457336885260_7068451936449593344_n.jpg?_nc_cat=106&_nc_oc=AQldeYFcC0zKqUYz6oV5ZMLLnaDQQFutVj5urL8OSDLLGsFcWkBwpUoK87uJV1F5M0w&_nc_ht=scontent-atl3-1.xx&oh=7539422d1c83e5b1a8d94d38e34b4f5f&oe=5DAF3483

Pois bem, seja qual for a crença do fulano ou do beltrano, seja ele cristão, judeu, muçulmano, hindu, budista ou até mesmo “extraterrestre”, ninguém tem o “direito” de destruir o templo religioso ou quiçá agir de forma intolerante a crença de outrem. E não sou eu quem está dizendo isso não! A nossa Constituição nos assegura tal direito. Uma tal liberdade de culto, conhecem?

E como sempre falo: A religião deve nos tornar melhores e não piores! Nesse sentido, ser intolerante com o outro não seria o oposto do que se almeja em cada culto ou crença? Ainda assim, reitero que, se eu não gosto, eu não vou, eu não participo, eu não tomo parte. E dessa forma deve ser. Cito aqui, meu exemplo particular, não possuo religião (sou o que se chama de agnóstico, mas não ateu), mas isso não me dá o direito de ser “intolerante” com os outros.

E para continuar nos exemplos, por aqui, onde resido, vejo cotidianamente inúmeros ataques em sua maioria aos cultos afros, demonizando-os e relegando-os a denominação, muitas vezes pejorativa, de “macumba” ou de até de coisa pior. Penso que, estudar o culto, o ritual, a história, a oferenda, a luta e o motivo, são mais que necessários nestes tempos “ainda obscuros”.

            Enfim, em tempos não tão tolerantes cabe a reflexão, o estudo, a compreensão e a empatia. E aqui cabe uma singela pergunta: E se, fosse o oposto? Como reagiríamos? Mas, enquanto tudo isso ainda permanece enraizado em nossa triste cultura, cabe a denúncia e a aplicação das legislações vigentes. E como dizia o meu saudoso amigo Jorge Cavlak: Saravá!

Tiago Rafael dos Santos Alves
Professor e Historiador
Membro Correspondente da ACL
tiagorsalves@gmail.com

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